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Chegou a hora

  • Foto do escritor: Toni Sando
    Toni Sando
  • 1 de mar.
  • 2 min de leitura

Quanto tempo ainda vamos continuar fazendo apenas o que precisa ser feito, sem fazer nada além do que já foi feito?


A rotina nos mantém ocupados. No trabalho, entregamos resultados. Nos relacionamentos, mantemos aparências. Entre amigos e família, seguimos protocolos invisíveis. Tudo funciona. Mas nem sempre evolui.


Na vida profissional, quantas vezes permanecemos onde já não crescemos, esperando que alguém nos reconheça ou nos mova? 


Esperar decisões externas é confortável. Mas liderança (da nossa vida) começa quando a decisão é interna.


Lembro de um texto que li há muito tempo atrás e que achei esses dias, em um dos meus cadernos de poemas, nos tempos de adolescente, de William Shakespeare, no qual ele escreveu que nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar por medo de tentar.


No ambiente profissional, isso se traduz em projetos inovadores, mas não realizados e feedbacks sempre evitados.


No relacionamento amoroso, o medo assume outra forma, como o receio de conversar, de ajustar, de encerrar ou de começar. Permanecer por hábito pode parecer estabilidade e considerando que a vida é curta, o amor exige verdade, não inércia.


Na escolha de amigos, também há uma hora. Hora de aproximar quem soma. Hora de se afastar de quem corrói. Nem toda relação é saudável, e nem toda convivência é parceria.


E na família, talvez o campo mais delicado, chega a hora das atitudes maduras, como dizer o que precisa ser dito e impor limites.


Isto é apenas uma reflexão para os próximos quatro dias de carnaval, quando teremos um pouco mais de tempo para pensar em nós mesmos ou para continuar iguais, o que também é uma escolha.


É quando o verso do samba eternizado por Beth Carvalho ganha novo significado: Chora… chegou a hora.


Na música, é a virada. Na vida, é o momento em que adiamentos deixam de ser prudência e passam a ser omissão.


Fazer apenas o necessário mantém a estabilidade. Fazer o que precisa ser feito, de verdade, transforma a trajetória. Como diria meu guru Mario Sergio Cortella: A vida muda quando a gente muda.


Planos profissionais adormecem. Relações esfriam. Amizades perdem sentido. Vínculos familiares se desgastam. Nada disso acontece de repente. 


É um acúmulo de silêncios.


Chegou a hora não é sobre impulsividade. É sobre responsabilidade.


É assumir o protagonismo da própria história, em todas as esferas.


Porque não decidir também é decidir. E, mais cedo ou mais tarde, a vida cobra posicionamento. 


A pergunta não é se a hora vai chegar. Ela sempre chega.

 
 
 

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